People only accept change in necessity and see necessity only in crisis.
—Jean Monnet
Quarta-feira, 21 de Março de 2012
Segunda-feira, 7 de Novembro de 2011
Segunda-feira, 30 de Maio de 2011
Da Glória da Indústria Portuguesa
O actual Governo quer-nos fazer pensar que não passamos dum País de coitadinhos, que não iremos a lado nenhum sem grandes infraestruturas como o TGV, o novo Aeroporto, mais Auto-estradas e afins.
Que se salva a Nação com milagres de vendas de Magalhães e jogos de Golf a IVA reduzido.
E os media adoram, e regozijam-se na mediocridade bacoca daquilo que passa pela "nossa" opinião pública, fazendo da desgraça Nacional e da fanfarra do Governo um circo de três arenas com direito a pipocas para gáudio do portuguesinho.
E depois há o País Real, onde entre o paternalismo do Estado e os seus mecanismos pseudo-Simplex, há algumas PMEs que ainda fazem mais pela economia do que todas as cerimónias de inauguração que por aí se têm passado.
Deixo-vos o exemplo da Eurocrane, e a sua mais recente venda - um enorme pórtico para contentores, tendo ganho um concurso internacional:
Projectado em Mafra
Construido em Vila Nova de Gaia
Embarcado em Aveiro
Vendido ao porto de Sete, França
Valor: 7 Milhões de Euros
Pena que os nossos media estejam mais interessados com outros arraiais do que em enaltecer o que de melhor se faz nas nossas PMEs, com know-how e mão-de-obra Nacional.
Que se salva a Nação com milagres de vendas de Magalhães e jogos de Golf a IVA reduzido.
E os media adoram, e regozijam-se na mediocridade bacoca daquilo que passa pela "nossa" opinião pública, fazendo da desgraça Nacional e da fanfarra do Governo um circo de três arenas com direito a pipocas para gáudio do portuguesinho.
E depois há o País Real, onde entre o paternalismo do Estado e os seus mecanismos pseudo-Simplex, há algumas PMEs que ainda fazem mais pela economia do que todas as cerimónias de inauguração que por aí se têm passado.
Deixo-vos o exemplo da Eurocrane, e a sua mais recente venda - um enorme pórtico para contentores, tendo ganho um concurso internacional:
Projectado em Mafra
Construido em Vila Nova de Gaia
Embarcado em Aveiro
Vendido ao porto de Sete, França
Valor: 7 Milhões de Euros
Pena que os nossos media estejam mais interessados com outros arraiais do que em enaltecer o que de melhor se faz nas nossas PMEs, com know-how e mão-de-obra Nacional.
Segunda-feira, 28 de Março de 2011
Vamos todos pro Buraco
Vamos todos pro buraco
A sorrir e a cantar
Vamos todos pro buraco
Não tem nada qu’enganar
Um Ministro demissionário
Que só lhe faltou chorar
Quando for ao confessionário
Vai ter muito pra contar
Que as rosas estão murchas
E a precisar de uma poda
Depois de seis invernos
Ja não valem uma fod@
O trolha, o carpinteiro
A dentista e o professor
O médico e o engenheiro
O poeta e o leitor:
Hão d'ir todos pro galheiro
E no meio do burburinho
Nem se safa o banqueiro
Que a todo o zé-povinho
Se lh’acabou o dinheiro
E toda a gente pensa
Que nos salvam os alemães
Mas para pagar esta avença
Vamos vender Guimarães
Pois qu’importa esta história
Se vamos todos pro buraco
Desta fossa lavatória
Nem nos safa o Cavaco
Do buraco nós viemos
A balir e a gritar
E pro buraco voltaremos
Seja a rir ou a chorar!
Quarta-feira, 4 de Agosto de 2010
Fados Modernos #1 - Fado da Bombagem (hidroeléctrica)
Deu-me para esta variação... Podem fazer o sing-along com o video!
Há para a sobrecarga
Um bom remédio afinal
É bombar e no momento
A rede fica igual
Não custa grande coisa
Já as turbinas Francis faziam
Uma inversão de sentido
Um caudal revertido
E a albufeira encheu
Refrão:
Quando as eólicas não param
Mete bombagem
Se os consumos baixaram
Mete bombagem
Haja nuclear à vontade
Mete bombagem
Por uma sobrecarga nocturna
Não passo no turno
Por um mau bocado
Se acaso o aviso acendeu
É só fazer como eu
Sem suar, vai bombar!
Não é que não pareça
Estranho returbinar
Mas são as leis do mercado
Que estão aqui pra mandar!
Bomba-se barato à noite
Para de dia escoar!
Que no fim do mês afinal,
Vendo bem o que vale
É a €DP facturar!
Sábado, 3 de Abril de 2010
Poemas Lusos #1
Jorge de Sena - A Portugal
Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de nascido nela.
Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.
Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fatua ignorância;
terra de escravos, cu pró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol calada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra-museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:
eu te pertenço.
Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de nascido nela.
Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.
Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fatua ignorância;
terra de escravos, cu pró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol calada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra-museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:
eu te pertenço.
És cabra, és badalhoca,
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço mas seres minha, não
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço mas seres minha, não
Etiquetas:
jorge de sena,
poesia,
portugal
Subscrever:
Mensagens (Atom)
