segunda-feira, 2 de março de 2009

O sol quando nasce, não é para todos

O Governo anunciou há duas semanas que iria avançar com uma campanha de incentivo à produção de águas quentes através de sistemas solares térmicos, com descontos de 50%.

Contudo, hoje ao dar-se início ao processo, verificou-se que das cerca de 4000 empresas do sector, só duas é que estão abrangidas pelo programa de desconto, a Vulcano e a Ao Sol (detida por Diogo Vaz Guedes e pela Martifer).

Num negócio que pode atingir facturações de 50 milhões de euros/ano, a APIsolar e entidades austríacas já falam em providências cautelares sobre o que parece ser uma clara manipulação do mercado.

O Lodaçal rejubila em saber que a Martifer, que recentemente cooptou para seu administrador o Sr. Jorge Coelho, conseguiu que a sua Ao Sol, que não cumpre os requisitos mínimos indicados pelo Ministério da Economia para que os seus produtos sejam abrangidos pelo plano de descontos, apareça como uma das duas empresas que - afinal - estão em jogo.

Enquanto a entidade para a regulação da concorrência não se pronuncia, as outras 3998 empresas ficam - por enquanto - à sombra...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Mas estavam a espera do quê?

Há um ditado americano de que gosto muito, e reza assim:

"A recession is when my neighbour is out of work, a depression is when I´m out of work"

Trocadilhos à parte, eu pergunto-me: mas as pessoas julgam que a crise só afecta os outros? Certo, temos mais 70.000 desempregados em Janeiro, e a maioria esteve impotente enquanto o drama se desenrolava à sua frente, fruto de serem assalariados ou terem idades avançadas, etc...
Agora estes senhores têm mais é que se dar ao respeito. Há décadas que o fenómeno do "cafezinho de esquina" tem proliferado pela nação, nas aldeias ou nas urbes. A ASAE já tinha começado um processo Darwinista que penso ser muito importante, mas claro que a crise vai acelerar muito os processos.

Sempre houve excesso de cafés em Portugal. Conheci já várias pessoas cujo sonho é abrir um café - não um estabelecimento de respeito - note-se - com o charme duma Versailles ou um Majestic, nem uma decoração design que valorizem a experiência de ingorgitação de cafeína e bolos sortidos - quando estas pessoas falam em abrir um café, estão a falar de mesas-de-fórmica-toldo-amarelo-nicola-calendario-do-benfas-café!

Rejubilemos então, pela hecatombe dos snack-bars deste País, na garantia que os melhores exemplares sobreviverão para contar a história de como resistiram à Crise e a ASAE!

E lembrem-se das minhas palavras: as lojas de roupa serão as próximas!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A Voz do Povo

A SIC Online permite agora fazer comentários às noticias. Está a decorrer uma espécie de inquérito aos cidadãos sobre "O que faria se você mandasse?". Após ler alguns dos comentários, não resisti:

Rident Castigat Mores!

Mais calinadas aqui.

sábado, 24 de janeiro de 2009

"Dois Mil e Nove"

"Manuel entrou no átrio do edifício. O ar estava impregnado de pó derivado das obras no piso inferior, uma serra de disco gritava na distância, cheirava a aço e ferro de soldar. Na máquina de multibanco o ecran piscava com publicidade de cores garridas: "A Certificação Energética é Obrigatória"".

Podia ser um excerto do primeiro capítulo do "Mil Novecentos e Oitenta e Quatro" de Orwell, mas o livro é o novo regime de avaliação energética (RCCTE), que entrou em vigor em 1 de Janeiro de 2009.
Para o leigo, basta referir que todas as habitações compradas desde o início do ano são obrigadas por lei a possuírem um Certificado Energético, que explicita a eficiência energética do imóvel.

Esta classificação - semelhante à que conhecemos nos electrodomésticos - indica uma qualificação geral que depende de parâmetros, tais como o isolamento térmico, sistemas de aquecimento, arrefecimento, águas quentes e fontes de energia renovável do imóvel. As classes vão desde A+ a G (a pior).

Enquanto estudante de engenharia, esta ideia de classificar os imóveis parece-me muito feliz, dado que consegue transmitir de uma maneira simples mas absoluta a qualidade de uma casa em termos de muitos parâmetros que o leigo normalmente desconhece e que têm implicações gravíssimas a longo prazo (tais como os custos para aquecimento e arrefecimento ao longo do ano).
Mas não há bela sem senão, e a perniciosidade da lei faz-se aflorar nos exemplos mais caricatos e inesperados. No caso em questão, o "imóvel" que o leitor pode observar na imagem é uma ruína, construída em 1907 e inserida numa propriedade agrícola, do qual fui proprietário até à uns dias. Qual o meu espanto quando decidi vender o terreno, fui informado pelo notário que teria de possuir um certificado energético para os "imóveis referenciados em caderneta urbana". Tentei explicar à senhora que os ditos imóveis eram ruínas, que não tinham tecto, água canalizada ou electricidade, pelo que não são possíveis de avaliar pelo RCCTE...

Resumindo e concluindo, duas semanas depois já tinha contratado um auditor energético (um dos dois únicos que existem no distrito inteiro!), que se deslocou à ruína, confirmou efectivamente que se tratava duma Classe G (no shit, Sherlock!), e em seguida fui informado que teria que pagar, alem dos honorários do perito, uma simbólica taxa de 51€ à ADENE para receber o meu Certificado (sem o qual a venda não se poderia realizar)...

Ah! Mas era dinheiro que queriam? Porque é que não disseram logo!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Este país não é para velhas

Vi as entrevistas aos dois principais candidatos a primeiro-ministro para as próximas legislativas. Sócrates disse que "vai ajudar todas as empresas que puder" e Ferreira Leite que "não tem dados suficientes para dizer, desde já, quais os investimentos públicos que cancelaria".

Neste país de palermas crentes, os valores de Ferreira Leite não a deixam ter a mínima hipótese contra Sócrates mais as suas afirmações irresponsáveis e inconsequentes.

É que a senhora não mente.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Aquele Abraço


Muitos (se não todos) dos nossos leitores masculinos já se depararam de certeza com esta situação: alguém ao despedir-se - em pessoa ou ao telemóvel - dizer "aquele abraço!".

Esta expressão sempre me intrigou. Qual será o abraço a que o meu interlocutor se estará a referir? O abraço forte do meu avô? Do meu pai? De um amigo que já não vejo há muito tempo? Ou será que existe um catálogo de abraços, tipo La Redoute, com todos os tipos de abraços, força, feitios, texturas?

"Olhe queria o XL em caxemira com biceps musculados e duas pancadinhas nas costas" "desculpe, o abraço que escolheu encontra-se esgotado, mas temos o mesmo em M com uma pancadinha apenas"... surreal!

Estas "irrealidades do quotidiano" que por vezes se enraizam no dia a dia sempre me fascinaram. Será que as pessoas do "aquele abraço" já pensaram no que estão a dizer, ou simplesmente apanharam o hábito de ouvido, como uma doença contagiosa propagando-se na idiomática portuguesa?

É infeliz, e não é inteligente. Para a próxima, vou convidar a pessoa a por o dito abraço n'"aquele sítio"!