segunda-feira, 28 de março de 2011

Vamos todos pro Buraco

Vamos todos pro buraco
A sorrir e a cantar
Vamos todos pro buraco
Não tem nada qu’enganar

Um Ministro demissionário
Que só lhe faltou chorar
Quando for ao confessionário
Vai ter muito pra contar

Que as rosas estão murchas
E a precisar de uma poda
Depois de seis invernos
Ja não valem uma fod@

O trolha, o carpinteiro
A dentista e o professor
O médico e o engenheiro
O poeta e o leitor:
Hão d'ir todos pro galheiro

E no meio do burburinho
Nem se safa o banqueiro
Que a todo o zé-povinho
Se lh’acabou o dinheiro

E toda a gente pensa
Que nos salvam os alemães
Mas para pagar esta avença
Vamos vender Guimarães

Pois qu’importa esta história
Se vamos todos pro buraco
Desta fossa lavatória
Nem nos safa o Cavaco

Do buraco nós viemos
A balir e a gritar
E pro buraco voltaremos
Seja a rir ou a chorar!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Fados Modernos #1 - Fado da Bombagem (hidroeléctrica)

Deu-me para esta variação... Podem fazer o sing-along com o video!



Há para a sobrecarga
Um bom remédio afinal
É bombar e no momento
A rede fica igual
Não custa grande coisa
Já as turbinas Francis faziam
Uma inversão de sentido
Um caudal revertido
E a albufeira encheu

Refrão:

Quando as eólicas não param
Mete bombagem
Se os consumos baixaram
Mete bombagem
Haja nuclear à vontade
Mete bombagem
Por uma sobrecarga nocturna
Não passo no turno
Por um mau bocado
Se acaso a voltagem cedeu
É só fazer como eu
Sem suar, vai bombar!

Não é que não pareça
Estranho returbinar
Mas são as leis do mercado
Que estão aqui pra mandar!
Bomba-se barato à noite
Para de dia escoar!
Que no fim do mês afinal,
Vendo bem o que vale
É a €DP facturar!

sábado, 3 de abril de 2010

Poemas Lusos #1

Jorge de Sena - A Portugal

Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de nascido nela.

Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.

Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fatua ignorância;
terra de escravos, cu pró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol calada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra-museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:
eu te pertenço.
És cabra, és badalhoca,
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço mas seres minha, não

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Andam-nos a atirar areia para a cara


Quando o Governo disse que o número de Pedidos de Patente Nacional aumentou 40%, devia achar que ninguém ia perceber que o número de Patentes Nacionais Concedidas caiu 7%.

Ou seja? O Governo rejubila por existirem mais 40% de paspalhos a encher os funcionários do INPI com trabalho inútil.

Hurrah!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Lema pós-Salazarista?

Questionar é o dever de todo o espírito inconformista e independente.

Questionamos a Moral e os seus Tabus;
Questionamos a Nação e o seu Futuro;
Questionamos o Governo e a sua Legitimidade;
Questionamos a Sociedade e os seus Costumes;
Questionamos o Dever do Trabalho e a Glória da Meritocracia.

Questiono-me sobre quantos de nós hoje em dia continuam a não questionar...

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Adágios

Continuando a súmula de adágios espirituosos, aqui vão mais três:

"Um Alemão: um homem decente
Dois Alemães: uma festa
Três Alemães: uma guerra"

"Um Inglês: um idiota
Dois Ingleses: um Club
Três Ingleses: um Império"

"Um Português: um amigo
Dois Portugueses: um abraço
Três Portugueses: uma misericórdia"